Como bem escreveu o nosso querido poetinha Vinicius de Morais “A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Como ele tinha razão! Essa é uma história de duas pessoas que se encontraram num certo lugar. Uma história que começa pelos aplicativos da vida, algo tão comum nos tempos de hoje, numa sociedade liquida, como bem escreveu Zigmunt Bauman, na sua obra “Modernidade Liquida” em que a volatilidade desorganiza a esfera da vida social, como o amor, a cultura, o trabalho…

Eram de dois mundos distintos que me fizeram lembrar a linda canção de amor de Eduardo e Mônica da Legião Urbana: “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”

Ela era de esquerda e ele de direita! Ela amava Lula! Ele Caiado! Ela fazia pós-graduação, ele não concluiu agraduação! Ela uma sonhadora, ele apesar dos desejos, era mais objetivo! Ela só fazia estudar e ele só trabalhar! Ele queria conhecer o mundo numa motohome! Ela queria conhecer o mundo junto dele! Ele a elogiava, dizia que era uma mulher maravilhosa! Ela o achava lindo, sensível, até um pouco tímido, simples…

Ela o achava muito indefeso, necessitado de cuidados, de atenção! Ele lhe contou sua história, suas fragilidades! Ele era intenso, parecia tão verdadeiro! Ela acreditou!

Ele a levou para o jantar e, assim, se deu o encontro! Era uma tarde de domingo, naquele dia, a cidade parou para ver um jogo de futebol na Televisão. Mas para eles, por mais que gostassem de futebol, aquele encontro, depois de vários dias de conversas, era primordial. Ela ia pegar um Uber, não precisou, ele foi buscá-la. Ele escolheu um restaurante aconchegante e, naquele dia, só havia eles dois. Era como se o universo tivesse colocado todas as suas energias para aquele encontro. O melhor vinho foi servido. Um jantar com iguarias da melhor qualidade. Sorrisos, olhares, gentilezas. Só ele e ela! Ninguém mais! Ele contou sua história, nascido no norte das Minas Gerais, na zona rural, não conheceu o pai, que havia falecido numa noite de lua, ao retornar de uma cavalgada. Corajosamente, sua mãe foi buscar o corpo do amado. Estava grávida e, com poucos meses, ele veio ao mundo. Cresceu, estudou, trabalhou, casou, teve filhos, separou e foi procurar emprego em novas terras. E ali estava, trabalhando.

Desejava mais, se identificou com a vida do campo, afinal parecia muito com suas terras. Gostava do cheiro do mato, de cultivar sua própria horta, de usar chapéu característico da região, e de cantar músicas locais. Estava feliz com aquele mundo à sua volta.

Ela pouco falou da sua vida. Dedicada, a esculta-lo, prestava atenção em cada palavra, cada gesto, observando esse homem que conhecia somente através da telinha. Estava curiosa. E foi ficando encantada com esse homem tão puro, simples, humilde, trabalhador. Ela que sempre acreditou na possibilidade de um novo amor. Pensou, será que é esse?

Porém não era dessa vez. Ele prometeu que teria novos encontros, que ia mostrar seu local de trabalho e arredores. Promessa nunca cumprida. Ela não havia prestado a atenção no que ele havia escrito no aplicativo “um encontro casual”. Ela só queria ser feliz, ele só queria um encontro! Ela queria mais. Ele não mais! Ela esperou, esperou! Passados alguns dias, o silêncio se fez presente, algo que ela não estava acostumada, pois antes todos os dias se falavam, contavam coisas banais do cotidiano, riam, se faziam presentes um na vida do outro.

Ele se foi, ela nunca entendeu o que aconteceu.  Ela achava que podiam estar junto mesmo que por alguns meses. Ele não cogitou essa hipótese! Ela ficou decepcionada! Porém recomeçou! Seguiu em frente, apesar do vazio que ficou em seu coração.

Penso nessa história desses dois e vem em minha memória música de Adriana Calcanhoto E o meu coração embora finja a fazer mil viagens fica batendo parado naquela estação.

Essa é apenas mais uma história dos encontros e desencontros entre um homem e uma mulher nos caminhos da vida. Será que algum dia eles se encontrarão?

 

Autoria : Meine Siomara Alcântara (Início de primavera de 2026)

 

Meine Siomara nasceu entre o mar e o sertão, na cidade de Mossoró/RN e passou a sua infância em Areia Branca/RN. Mestre em Enfermagem, Doutoranda pela RENASF/UFRN, Historiadora, Membro do Coletivo Literário Zila Mamede. Filha de Pedro e Ocimar e mãe de Vitor e Maira.