Ex-deputada estadual, jornalista, feminista e hoje secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra é uma referência no movimento de mulheres da Paraíba.

E isso não nasceu ontem.

Estela não caiu de paraquedas no feminismo nem descobriu a defesa dos direitos das mulheres por conveniência eleitoral. Tem história. Tem legado. Tem estrada.

Posso dizer isso também de um lugar muito particular. Conheço Estela desde a adolescência, ainda nos tempos de estudante de Jornalismo, produção cultural e audiovisual, quando éramos estagiárias naquele período de verdadeira efervescência cultural no Sesc.

São mais de 30 anos acompanhando sua militância e sua luta incansável pelas pautas de interesse das mulheres.

Estela poderia, inclusive, estar nesta eleição disputando uma vaga. Preferiu participar da campanha de outra forma, sem, contudo, deixar de ser protagonista do debate político.

Por isso, quando Estela resolve falar sobre a atuação de Veneziano Vital do Rêgo no Senado, sua palavra não pode ser reduzida a mais uma declaração eleitoral.

Ela fala a partir de uma trajetória.

Quem melhor do que alguém que dedicou décadas da vida ao enfrentamento à violência contra as mulheres para analisar o comportamento de um parlamentar diante dessas pautas?

Desconheço.

E Estela nunca teve exatamente o perfil de se calar diante daquilo que considera uma injustiça, contra mulheres ou contra homens.

Nesta reta final da campanha, ela resolveu vir a público. Em vídeo divulgado nas redes sociais, declarou seu voto em Veneziano e explicou as razões.

Entre elas, apontou o posicionamento do senador em matérias de proteção às mulheres e destacou sua participação na viabilização da Casa da Mulher Brasileira em Campina Grande.

Não se trata de uma pauta estranha ao mandato. Em 2025, por exemplo, Veneziano foi relator favorável do projeto que incluiu expressamente a violência eletrônica contra a mulher entre as formas de agressão alcançadas pela Lei Maria da Penha. E, neste ano, a implantação da Casa da Mulher Brasileira em Campina Grande avançou com investimento federal anunciado em aproximadamente R$ 10 milhões e articulação atribuída também ao senador.

Mas talvez o mais significativo na fala de Estela seja justamente aquilo que nenhuma planilha de votação parlamentar consegue medir: o testemunho.

“Eu tive a condição de contar com Veneziano nessa causa durante toda a minha trajetória de vida”, afirmou.

Essa frase tem peso.

Porque vem de alguém cuja trajetória na defesa das mulheres antecede mandatos, campanhas e eleições.

Estela não começou a defender mulheres para pedir voto para Veneziano.

Quando ela diz que acompanhou sua atuação, portanto, fala a partir de uma história que começou muito antes desta eleição.

Pode-se concordar ou discordar politicamente de Estela Bezerra. Faz parte da democracia.

O que não dá é para apagar sua história.

E é justamente essa história que dá dimensão ao testemunho que ela resolveu prestar agora.