Em tempos em que as discussões sobre diversidade, inclusão e direitos humanos ocupam cada vez mais espaço na sociedade, é significativo perceber que esses temas também começam a ganhar lugar em ambientes tradicionalmente associados apenas ao entretenimento.

Nesta semana, uma iniciativa chamou atenção na programação d’O Maior São João do Mundo, em Campina Grande. Profissionais que atuam na organização do evento participaram de uma Oficina de Letramento Racial e Gestão de Evento Antirracista. Pode parecer apenas mais uma capacitação entre tantas realizadas nos bastidores de uma grande festa. Mas não é.

Eventos que reúnem milhares de pessoas refletem, inevitavelmente, as virtudes e os problemas da sociedade. E o racismo, infelizmente, continua sendo uma realidade presente no Brasil. Ignorar essa questão não faz com que ela desapareça. Pelo contrário. O enfrentamento exige informação, diálogo e preparo.

A iniciativa promovida pela Arte Produções, com apoio da Petrobras, aponta para uma compreensão cada vez mais necessária: a responsabilidade de quem organiza grandes eventos não se limita à montagem de estruturas, contratação de atrações ou controle de acesso. Ela também passa pela construção de ambientes seguros, acolhedores e respeitosos para todos.

O mais interessante é que a proposta não esteve centrada apenas na punição de possíveis casos de discriminação, mas na prevenção. Preparar equipes para identificar situações de preconceito, acolher vítimas e agir de forma adequada é um passo importante para que a cultura do respeito se fortaleça.

As festas populares sempre foram espaços de encontro. Reúnem pessoas de diferentes origens, classes sociais, crenças, idades e identidades. Talvez por isso mesmo sejam lugares privilegiados para a construção de novas formas de convivência.

O São João de Campina Grande é reconhecido por sua grandiosidade. Mas iniciativas como essa mostram que a dimensão de uma festa não se mede apenas pelo tamanho da estrutura ou pela quantidade de público. Mede-se também pela capacidade de refletir sobre o tempo em que vivemos e de buscar formas de tornar a celebração mais humana, inclusiva e democrática.

Porque, no fim das contas, uma festa verdadeiramente popular é aquela em que todos podem participar, celebrar e se sentir respeitados.