As eleições de 2026 prometem inaugurar uma nova fase da propaganda eleitoral brasileira. Se nas disputas anteriores as redes sociais já exerciam forte influência na formação da opinião pública, agora a inteligência artificial surge como uma das principais protagonistas do debate político.

A tecnologia veio para ficar. Utilizada de forma responsável, pode aproximar candidatos dos eleitores, ampliar o acesso à informação e tornar a comunicação mais eficiente. O problema não está na ferramenta, mas no uso que algumas pessoas fazem dela.

Nos últimos anos, assistimos ao crescimento de conteúdos falsos produzidos com impressionante grau de sofisticação. Vídeos manipulados, áudios fabricados e imagens adulteradas passaram a circular pelas redes sociais com o objetivo de confundir o eleitor, destruir reputações e influenciar o debate público. São as chamadas fake news e os conhecidos deepfakes, que representam uma das maiores ameaças à integridade do processo democrático.

Atento a essa nova realidade, o Tribunal Superior Eleitoral editou regras específicas para as eleições de 2026. O objetivo não é impedir o avanço tecnológico, mas assegurar transparência e responsabilidade. A inteligência artificial poderá ser utilizada nas campanhas, desde que o eleitor seja informado quando determinado conteúdo tiver sido produzido ou significativamente alterado por essa tecnologia.

A preocupação da Justiça Eleitoral é legítima. A democracia depende da livre formação da vontade popular. Quando o eleitor toma decisões baseadas em mentiras ou informações manipuladas, toda a essência do processo eleitoral fica comprometida.

Nunca foi tão importante desenvolver senso crítico diante do que se vê nas redes sociais. Nem toda imagem é verdadeira. Nem todo vídeo retrata um fato real. Nem toda voz pertence à pessoa que aparentemente fala. A tecnologia evoluiu a tal ponto que, muitas vezes, a mentira pode parecer mais convincente do que a própria verdade.

Dentro dessa lógica, ganha relevância o dever de transparência imposto pela nova regulamentação eleitoral. O eleitor tem o direito de saber quando está diante de um conteúdo produzido por inteligência artificial, da mesma forma que tem o direito de receber informações corretas para formar sua convicção política.

É bem verdade que a inteligência artificial pode trazer inúmeros benefícios para a sociedade. Contudo, jamais poderá servir de instrumento para a propagação da mentira, da difamação ou da manipulação eleitoral. A tecnologia deve ser colocada a serviço da democracia, e não utilizada como mecanismo para enfraquecê-la.

As eleições de 2026 serão, sem dúvida, um grande teste para candidatos, partidos, plataformas digitais e para os próprios eleitores. Mais do que nunca, será necessário separar a informação da desinformação, a crítica legítima da fraude digital e a liberdade de expressão da manipulação deliberada da verdade.

Afinal, em uma democracia saudável, a disputa política deve ocorrer no campo das ideias, e não no terreno perigoso das mentiras fabricadas por algoritmos.