Há filmes que entretêm. Outros informam. E há aqueles que nos convocam. Honestino, novo longa do diretor Aurélio Michiles, pertence claramente à terceira categoria — a dos que nos chamam para lembrar, refletir e, sobretudo, não esquecer.

O filme resgata a história de Honestino Guimarães, líder estudantil da geração de 1968, presidente nacional da UNE e estudante da Universidade de Brasília. Preso cinco vezes por sua atuação política, ele foi sequestrado em 1973, aos 26 anos, tornando-se um dos centenas de desaparecidos da ditadura militar brasileira. Seu nome, por décadas silenciado, agora volta à cena com força, densidade e humanidade.

A narrativa é construída a partir de depoimentos de familiares, amigos, políticos e militantes — entre eles Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e Betty Almeida, autora de sua biografia. Essa pluralidade de vozes não apenas reconstrói fatos, mas compõe um mosaico emocional que revela quem foi o jovem por trás do símbolo. Não se trata de um herói abstrato, e sim de um rapaz real, com afetos, dúvidas, convicções e coragem.

Intercalando esses testemunhos, surgem cenas dramatizadas com Bruno Gagliasso no papel de Honestino. A escolha do ator não busca apenas semelhança física, mas intensidade dramática: sua interpretação funciona como ponte sensível entre o passado e o presente, permitindo que novas gerações se conectem com uma história que muitos livros didáticos ainda tratam de forma distante.

Mais do que um filme biográfico, Honestino é um gesto político no melhor sentido da palavra — aquele que reafirma a importância da memória coletiva. Em tempos em que narrativas históricas são disputadas e, por vezes, distorcidas, obras como esta lembram que democracia também se constrói preservando a verdade e honrando aqueles que pagaram com a própria vida por defendê-la.

 

 

Estreia nos cinemas em 4 de junho.

 

Direção: Aurélio Michiles
Elenco: Bruno Gagliasso
Participação Especial: Fafá de Belém
Produção: Nilson Rodrigues / Mercado Filmes