“Advogado tem padrão e quem quiser ser precisa se moldar a ele”. Foi exatamente isso que eu ouvi em uma conversa, ainda enquanto estagiário, com uma profissional mais experiente. Ela me trouxe apenas uma exceção: “O único que pode fugir disso é o Kakay, mas o Kakay é o Kakay”.

Para quem não o conhece, eu o apresento: Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido por Kakay, é um advogado criminalista, que já prestou serviços para políticos do alto escalão e celebridades, além de ser reconhecido pela sua excentricidade e jovialidade no jeito de ser e de atuar.

E, de fato, Kakay foge do padrão da identidade da advocacia comumente partilhada.  E que bom! Foi justamente esta diferença que o fez ser quem é.

Claro que a advocacia é, em si, uma atividade que exerce direta influência na formação identitária do indivíduo. Não podemos esquecer que ser uma advogada ou advogado exige um certo decoro e formalidade própria daqueles que têm a proteção de direitos como ganha pão1.

Contudo, somos indivíduos distintos, com histórias de vida, pensamentos, formação, gostos, hobbies, humor, sorrisos e dores diferentes, e isso reflete na construção do nosso trabalho.

E a reflexão ecoa: Sé minha cultura que me destaca entre os demais, por que afastar isso? Se é a minha história de vida que me aproxima dos clientes, por que esquecê-la? Se meus sentimentos são aflorados, por que não usar isso como ferramenta de convencimento?

É necessário entender que manter o decoro próprio da advocacia não é esquecer de si, seguir um roteiro pré-fabricado e se adaptar à imagem padronizada. Podemos ser quem somos, honrando a profissão e tornando-a ainda mais diversificada, humana e, consequentemente, brasileira.

Tenhamos orgulho da nossa formação, da nossa história, do que sentimos, daquilo que nos faz rir e chorar, daquilo que nos chama a atenção e daquilo que aprendemos na nossa caminhada. É isso que nos destaca em uma profissão liberal com centenas de milhares de profissionais. É isso que marcará nossa carreira e nosso lugar no mundo.

Com isso em mente, estreio minha coluna neste honroso e valioso espaço de vanguarda, convidando você a me acompanhar nestas reflexões não só jurídicas, mas humanas.

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1 Inclusive, para melhor se aprofundar sobre o tema, recomendo a leitura do artigo “A profissão de advogado conforme apresentada em jornais paraibanos” de Sandra Souza da Silva, Livia de Oliveira Borges e Silvânia da Cruz Barbosa. Link de acesso:
https://www.scielo.br/j/psoc/a/C3zkNTRHTy3N6wRzXsFKDLk/?lang=pt

E, se você não me conhece, eu me apresento:

Meu nome é José Jonas Mangueira, sou filho de Suerda Cristina e Carlos Antônio, nascidos no sertão paraibano. Nasci e me criei em Mangabeira, o bairro mais populoso do estado, tendo estudado em instituições públicas desde o fundamental II – Escola Municipal Aruanda, nos Bancários, passando pelo IFPB, em Jaguaribe, e pela UFPB, no Castelo Branco.

Sou orgulhosamente a mistura de todos e todas aquelas que me ensinaram e ensinam, bem como com quem pude compartilhar e compartilho tempo da minha vida, desde o ventre que me formou. É exatamente isso que forma o profissional e o indivíduo que sou hoje.

Porque, no fim, Kakay só é Kakay porque nunca deixou de ser Antônio. E eu só posso ser advogado sendo, antes de tudo, José Jonas.

A advocacia pode dispensar os moldes, mas não sobrevive sem as pessoas.