Era uma vez…numa terra bem distante havia um reino em que as pessoas viviam felizes! A sua rainha reinava há longos anos, e era muito respeitada e adorada por todos, pois havia no seu reinado um cuidado por seus súditos,tanto aqueles que moravam com ela no palácio como aqueles que viviam ao redor da muralha, ou até mesmoaqueles que moravam nas mais longínquas regiões. Era amada e adorada pelo seu povo e reconhecida e admirada pelos outros reinos, pela sua sabedoria e bondade. Essa Rainha tinha como suas guardiãs, “As alquimistas do bem”, e, portanto, sempre que havia algum problema no reino, a Rainha se aconselhava e juntas procuravam resolver para que a paz retornasse.
Em um certo dia ruim, chegou a peste, que devastou milhares de súditos, todos aqueles que moravam no Palácio sentiram medo, angústia, não sabiam como agir, pois, era algo desconhecido. Havia tido há milhares de anos, a peste negra, mas essa era diferente, nunca em tempo algum haviam visto tamanho horror, famílias inteiras foram dizimadas por essa nova peste em todos os reinos da Terra. E nesse pequeno Reino, apesar do medo, a Rainha não se curvou, foi a procura do que poderia fazer para amenizar e ajudar aos seus súditos. E junta a ela, as alquimistas começaram a traçar planos e ações, sejam para os anciãos, seja para a população em geral. Era tempo de se dar a mão, e ninguém soltar a mão de ninguém. Foi ummomento de muita solidariedade, chegavam auxílio de todos os lugares, as fadas, os duendes, os cavalheiros e princesas levavam ajuda para que esses dias tão tristes e cruéis fossem amenizados com tamanha ajuda. Finalmente a peste, com ajuda dos grandes magos que fizeram um antídoto, recuou, houveram algumas perdas, mas era preciso retomar para que isso jamais aconteça e que a alegria volte a acontecer de forma mais linda.
Passaram-se os anos, e a rainha já velha, teve que abdicar do trono, já não poderia mais permanecer naquilo que foi toda a sua vida. Com imensa tristeza se recolheu na sua casa de campo para viver os fins dos seus dias. Como não haviam herdeiros, foi realizada uma junta e vieram duas duquesas a mando de uma Rainha má que governava um reino distante, essa que sempre foi arqui-inimiga da Rainha boa, sempre a invejou pela sua bondade, algo que nunca conseguiu ser. E a partir daquele momento as duquesas começaram a governar o Reino obedecendo as ordens da Rainha Má, fazendo com que esse novo reino passasse a ser autoritário, egocêntrico, sem diálogo com seus súditos. Não queria mais ajuda das alquimistas. Daquele dia em diante, o Reino ficou triste, não havia mais alegria no Palácio, só medo e aflição, todos permaneceram calados e submissos as ordens das duquesas, e aqueles que ousavam falar eram discriminados e colocados à margem. Passaram também a perseguir as alquimistas do bem, uma delas foi colocada para fora do reino, mas com a força do povo que fez uma rebelião pedindo para que ela voltasse, a mesma retornou, mas infelizmente as crueldades continuavam deixando todos apáticos.
Que esses tempos repletos de atrocidades e maus agouros possam ser passageiros e que um belo dia esse Reino volte a brilhar, que a justiça seja feita, que a bondade seja o norte para um Reino forte, que o sol resplandeça, que as flores brotem mais bonitas, que os homens e mulheres possam, enfim a ter vez e voz, viver dignamente e serem novamente felizes.
Meine Siomara Alcântara
Primavera europeia
Évora, 30 de março de 2026

Meine Siomara Alcântara, enfermeira, historiadora, escritora, membro do Clube literário Mulherio Zila Mamede. Doutoranda em Saúde da Família pela RENASF / UFRN. Atualmente no doutorado sanduiche na Escola de Enfermagem São João de Deus da Universidade de Èvora, Portugal. Filha de Pedro e Ocimar e mãe de Vitor e Maira.
MULHERIO DAS LETRAS
Coletivo literário feminista que reúne escritoras, editoras, ilustradoras, pesquisadoras e livreiras, entre outras mulheres ligadas à cadeia criativa e produtiva do livro, no Brasil e no exterior, a fim de dar visibilidade, questionar e ampliar a participação de mulheres no cenário literário.