Tubo perfeito de Teahupo'o também pode provocar graves acidentes
Imagem: WSL/Dunbar via Getty Images

As ondas deslumbrantes e perigosas de Teahupoo, no Taiti, estão no ranking das mais perfeitas do mundo e são o sonho de qualquer surfista. Mas os icônicos tubos, que podem chegar a 10 metros de altura, estão ameaçados por uma obra da Olimpíada de Paris 2024. O comitê do evento planeja construir uma grande torre de alumínio na ilha do Pacífico, território ultramarino da França escolhido como sede das provas de surf. A estrutura, que irá abrigar os jurados da competição, vai custar 5 milhões de dólares (o equivalente a R$ 25 milhões) e será erguida na parte rasa do oceano, sobre o recife de coral da região.

No entanto, os possíveis impactos ambientais do projeto provocaram protestos da população local, de surfistas e defensores da causa ambiental. Na última terça-feira (17), foi criada uma petição online contra a obra olímpica, que já conta com quase 60 mil assinaturas.

Especialistas afirmam que a estrutura de alumínio representa riscos para a vida oceânica de Teahupoo. “Os recifes de coral são ecossistemas delicados e qualquer construção sobre eles, ou nas suas proximidades, tem o potencial de danificá-los”, disse o chefe do departamento de Geociências Marinhas da Universidade de Miami Sam Purkis ao jornal britânico The Guardian. “No final das contas, é esse recife, que cresceu ao longo de milênios, que cria a onda que os surfistas buscam”, afirmou.

Além da torre, os moradores da pequena vila de 1500 habitantes estão preocupados com o navio cruzeiro que ficará estacionado ao longo da costa para acomodar os 48 atletas e suas equipes durante os jogos olímpicos. A embarcação de grande porte também é fonte de poluição do ar e do oceano.

O Comitê Organizador de Paris 2024, por sua vez, nega qualquer possibilidade de dano ecológico ao Taiti e ressalta que a torre será um legado do evento para a comunidade do surf.



Por Revista Trip